Fonte: http://opiniaoenoticia.com.br/
Apesar da ideia de que “menos é mais” ter encontrado várias manifestações na arquitetura, no design e na moda, o setor tecnológico sempre expressou o pensamento oposto. Os produtos devem conter o maior número possível de funções, que, por sua vez, devem se multiplicar na versão do ano seguinte, mesmo que essas funções não sejam usadas por ninguém. Na competição tecnológica, mais sempre significou mais.
Mas agora surgem sinais de que o setor está descobrindo os benefícios do minimalismo, graças a dois fatores: o cansaço dos consumidores, que simplesmente querem algo que funcione, e a grande demanda nos países em desenvolvimento, de menor poder aquisitivo. Um sinal dos tempos é que o valor de mercado da Apple [1]– associada a produtos elegantes, porém simples — ultrapassou o da Microsoft, cujos produtos sempre abusaram da variedade de funções. Eletrônicos não são mais artigos exclusivos para nerds, e se a tecnologia quer atender a um público amplo, a simplicidade deve derrotar as especificações elaboradas.
Muitas dessas ideias surgiram numa tentativa de reduzir custos, visando mercados de países como China, Índia e Brasil. Numa época de vacas magras, esses produtos mais simples acabaram encontrando mercado também nos países ricos. O netbook [2], uma tentativa de produzir laptops baratos para crianças de países pobres, acabou se tornando popular com consumidores no mundo todo. A Tata criou o Nano, o carro mais barato do mundo [3], para a emergente classe média indiana. Agora planeja o lançamento do veículo na Europa.
Todos esses fatores geram esperanças. Se o setor tecnológico — obcecado com a variedade de funções — pode mudar, talvez haja a chance de que os governos, que também acreditam fielmente na ideia de que mais é mais, também possam se render às vantagens do minimalismo.