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A multiplicação das casas inteligentes
- Gazeta Mercantil (19/11/03)
FORTALEZA, 10 de novembro de 2003 - Cerca de 900 projetos imobiliários
em andamento no País já incorporam novas soluções
tecnológicas. Nesse início de década, o conceito
de casa inteligente - que incorpora uma série de equipamentos de
automação - passou a ser um imperativo em alguns projetos
imobiliários no Brasil. E o mercado para esses sistemas tem um
potencial de crescimento expressivo, com tendência de queda acentuada
nos preços dos sistemas eletrônicos à medida em que
essa indústria ganhe escala, avalia o engenheiro José Roberto
Muratori, presidente da Associação Brasileira de Automação
Residencial (Aureside).
Nas contas da associação, o mercado para automação
residencial no País se aproxima de 1,1 milhão de unidades
- que abrigariam 4% dos 71,1 milhões de brasileiros com mais de
24 anos e de alto poder aquisitivo (classes A e B). Segundo levantamento
da Aureside, além de dispor de dinheiro, essas pessoas já
têm intimidade com modernas tecnologias e, portanto, estariam propensas
a aderir aos sistemas, seja com o intuito de conferir mais segurança,
praticidade ou conforto aos lares.
De acordo com o levantamento, nas nove principais regiões metropolitanas
brasileiras cerca de 29% dos lares são habitados pelas classes
A e B - índice que chega a 34% em São Paulo e 35% em Brasília.
Nessas áreas, 80% dos domicílios são casas, o que
explica a elevada demanda, por exemplo, por equipamentos que garantam
maior segurança. A pesquisa revela que esse item é considerado
prioritário para 58% das casas. No caso dos apartamentos, o percentual
é de 42%.
Nos dois tipos de habitação a segunda questão mais
importante é o entretenimento - sistemas integrados de áudio,
vídeo e games via internet, televisão digital e interativa.
Outra preocupação latente, tanto em casas como em apartamentos,
é com a montagem de uma estrutura adequada para trabalho residencial,
o chamado "home office", que geralmente requer acesso de banda
larga à internet, soluções "wireless" (sem
fio) e até sistemas de "e-learning" (ensino à
distância) ou videoconferência.
Em termos de conforto e praticidade, há sistemas disponíveis
para automatizar - e controlar à distância, por telefone
ou computador - a iluminação e ventilação
das residências, acionar eletrodomésticos, monitorar interiores,
irrigar o jardim, limpar a piscina, aquecer a banheira ou ordenar a "aspiração
central a vácuo" da poeira da casa. De acordo com Muratori,
é uma equívoco pensar que essas tecnologias estão
distantes e inacessíveis.
"A automação antes era associada somente a grandes
edifícios. Mas muitas dessas tecnologias já estão
incorporadas a vários projetos residenciais em cidades das regiões
Sul e Sudeste", afirma o presidente da Aureside. Nas estimativas
da associação, em 1999 somaram 100 os empreendimentos imobiliários
integrando projeto com a venda de produtos de automação.
Este ano, a expectativa é de que o número de construções
do tipo se aproxime dos 900.
"Ainda que o cliente não se manifeste sobre o desejo de ter
sistemas automatizados, já existe o entendimento entre os incorporadores
imobiliários que os projeto precisam levar em conta essa demanda
futura. É sensato, pelo menos, deixar pronta a estrutura nas paredes
para conexões e pontos elétricos, que representam custo
ínfimo na construção", afirma Muratori. Segundo
ele, atualmente os sistemas de automação incluem pacotes
tecnológicos que vão de R$ 3 mil a R$ 30 mil.
O arquiteto Mauro Munhoz, com escritório na cidade de São
Paulo, diz que em muitos projetos que realiza é o próprio
cliente que solicita a inclusão de sistemas de automação.
"Porém, independente da iniciativa dos clientes, creio que
hoje em dia é obrigação dos profissionais incluir
o conceito de automação residencial em todos os projetos,
mesmo naqueles considerados mais simples. É mito pensar em casa
inteligente apenas como coisa do futuro", diz.
Munhoz se filia à corrente dos profissionais da área que
acreditam na queda do preço dos produtos de automação
com a crescente disseminação desses sistemas no País.
"Na prática, o preço de vários desses equipamentos
já caiu bastante. Há alguns anos, por exemplo, os alarmes
eram raros, e hoje são um item comum nos automóveis e nas
residências", afirma.
Projeto inovador
No bairro do Itaim Bibi, na cidade de São Paulo, a construtora
alagoana Cipesa Engenharia está lançando um edifício
residencial, o Brazilian Art, considerado símbolo do conceito de
casa inteligente. A fechadura da entrada principal dos apartamentos, por
exemplo, possui identificador de impressão digital. Para reforçar
a segurança, há um sistema integrado de monitoramento e
alarme à distância, por imagens, fotos e gravação.
A garagem, por sua vez, é equipada com dispositivo sonoro para
auxiliar manobras de estacionamento. Entre outras comodidades, os apartamentos
possuem sistemas de aquecimento do piso dos banheiros, chuveiro digital,
banheira que pode ser acionada por telefone ou ainda sistema central de
aspiração de pó e ácaros. O empreendimento
também conta com cabeamento para transmissão de dados, voz
e imagem e estrutura para trabalhar com comunicações a cabo
ou fibra ótica.
O engenheiro Edson Martinho, coordenador de projetos do Instituto Brasileiro
do Cobre (Procobre), alerta, entretanto, que o conceito de a automação
não é sinônimo - ou privilégio - de projetos
requintados, de luxo. "Isso não corresponde à realidade.
A automação pode ser aplicada em diversos níveis
em e em qualquer tipo de construção", afirma. Segundo
ele, o mercado para esses equipamentos vem crescendo entre 30% e 40% nos
últimos anos e tem fôlego para manter essa desempenho, pelo
menos, até 2007.
(Darlan Moreira - Gazeta Mercantil)
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